Histórias de Moradores de Votorantim

Esta página em parceria com o Museu da Pessoa é dedicada a compartilhar histórias e depoimentos dos Moradores.

História do Morador: Edimir Messias de Moraes
Local: São Paulo
Publicado em: 20/10/2006




História: Votorantim e o Plebiscit
História

Edemir Messias de Moraes nasceu em Votorantim, estado de São Paulo, onde permanece até hoje e pela qual apresenta uma enorme paixão. Seus pais se conheceram na famosa fábrica de cimento Votoran, no bairro Santa Helena, que possuía uma vila operaria que abrigava alguns trabalhadores. Nessa fábrica trabalhava a maior parte da população votorantinense.

Quando criança morou no bairro da Barra Funda, um bairro de pessoas operárias que se formou acompanhando a trajetória do crescimento industrial e que hoje algumas casas ainda mantêm o mesmo estilo daquela época. Morava em uma casa de três cômodos: cozinha e dois quartos, onde o banheiro era externo e dividido por duas casas. Essa casa era de tijolo com barro e não possuía sala. Um fato interessante é que o banheiro sendo usado por duas casas causava alguns transtornos como: ficavam batendo muito na porta para irem logo e por ser criança tinha medo de ir sozinho até lá. O quarto de Edemir era apertado, dormia nele com os irmãos. No outro quarto da casa dormiam os seus pais. A rua era de terra, esburacada e quase ninguém saia para brincar.

A iluminação pública era apagada às 22 horas e quando chovia não tinha como sair, pois a rua ficava totalmente barrenta. O que eles mais brincavam nessa época era de bolinha de gude, aproveitando a terra que já havia na rua, o que deixava a brincadeira mais gostosa. Um fato que ele não consegue esquecer de sua infância é quando ganhou um paletó de seu amigo. Ele estava com muito frio e só usava uma blusa de manga, quando seu amigo lhe ofereceu o casaco. Hoje, esse seu amigo é um padre. Sua primeira escola foi em Votorantim. A sala de aula era pequena, assim como todas da escola. Em cada corredor havia 4 salas. O pátio era grande e nele havia os banheiros. A professora colocava os alunos em fileiras de acordo com a aprendizagem, então havia a fileira A, B e C e apenas uma lousa onde era dividida para cada nível da aprendizagem. Sua professora era muito brava, não deixava que seus alunos cometessem erros.

Quando cometiam, ficavam de castigo e até podiam levar reguadas, mais ele guarda com carinho a lembrança de sua professora, mesmo sendo enérgica tem consciência que deve muito do que é hoje as suas lições passadas durante os anos. Um fato que ficou marcado na sua fase escolar foi quando tirou uma nota baixa e tentou arrumá-la com uma caneta tinteiro, mais ele acabou borrando o boletim deixando seu pai muito furioso. Segundo seu pai, a nota de comportamento deveria ser acima de 80 e a que ele havia tirado foi bem menor. Diferente dos jovens da sua época, Edemir gostava mesmo era de ficar jogando bolinha de gude e correndo, mas a fase de se apaixonar chegou e foi quando conheceu sua primeira namorada.

Segundo seu relato, ele gostava muito de uma linda jovem e não sabia o que fazer para chamar sua atenção, foi então que ele chegou perto da garota e puxou seu cabelo. Uma amiga estava junto e deu risada da situação. Marcou um encontro para tomar sorvete e namoraram por um mês. O namoro só não foi adiante porque a garota era mais velha e ela não quis continuar com ele. Depois de algum tempo, Edimir conheceu uma jovem, que veio a ser sua esposa. Ele estava saindo de seu trabalho, quando viu duas lindas moças, piscou para elas e apenas uma retribuiu com um delicioso sorriso, foi então que pediu para acompanhá-la até sua casa e começaram a namorar. Desse namoro, veio o noivado e o seu casamento, do qual tem hoje um casal de filhos, que só lhe trazem alegrias. No seu casamento, sua ex-namorada estava na igreja, o que lhe deixou muito envergonhado.

Foi uma festa muita bonita e lembrada até hoje pela família. Seu casamento foi realizado num dia de chuva. Edemir queria muito ser engenheiro, mas sua condição financeira não permitiu que esse seu sonho fosse realizado, foi quando optou pela advocacia. Fazendo Direito, ele conseguia pagar os seus estudos e ajudar a sua família. Sua faculdade foi feita na cidade vizinha de Sorocaba, na Faculdade de Direito (FADI). Na época de seus estudos era a única faculdade especializada na área na cidade, hoje já podemos encontrar mais cursos de Direito espalhados pelas diversas universidades que a cidade comporta. Para ele, nos dias de hoje a profissão é mais fácil de ser exercida, pois tudo é mais moderno, podemos usar computadores, fax, impressoras e antigamente tínhamos que fazer uso da maquina de escrever, de arquivos em papeis, que dificultava mais a vida do profissional.

No plebiscito, que emancipou o município de Votorantim da cidade de Sorocaba, ele participou efetivamente usando sempre a camiseta do SIM. As pessoas usavam na época da campanha, camisetas que diziam o que elas esperavam de resposta do plebiscito. Segundo Edemir, na década de 60, Sorocaba não conseguia mais que a população do Distrito de Votorantim estivesse feliz com a situação de bairro da cidade. Surgiram, então, as idéias a favor da separação do Distrito de Votorantim, de Sorocaba. Idéias essas que se geraram o movimento de luta pela emancipação. Período de marcantes polêmicas, criadas em torno de duas tendências: a do SIM, a favor do desmembramento, e a do NÃO, contra. Realizado o plebiscito em 1º de dezembro de 1963, o SIM venceu por grande maioria de votos, desmembrando-se Votorantim de Sorocaba. Isso foi um fato marcante e importante para a cidade.

Junto a ele nessa campanha, estava seu amigo de infância, o padre que lhe deu o paletó. Os benefícios que podemos ver hoje é que a cidade está mais evoluída, com mais atrativos e com certeza muito mais desenvolvida do que naquela época. Para terminarmos nossa conversa com Edemir, nós alunos da 4ª série C, da escola municipal “Prof. Abimael Carlos de Campos”, em Votorantim, perguntamos qual seria seu maior sonho e ele nos respondeu que era ser engenheiro e que não mudaria nada na sua história de vida. Concluiu dizendo que foi muito bom conversar com os alunos e que, todas as pessoas que possuem histórias sobre a nossa cidade deveriam ser chamadas para conversar sobre elas e não deixar que essas histórias de vida fiquem guardadas com elas.

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